Um beijo sem fim, que dure a vida inteira e aplaque meu desejo.
– (Olavo Bilac ou Castro Alves, não sei)Mas o pior de tudo é que tal contentamento é exatamente o que não
posso suportar. Após um curto instante parece-me odioso e repugnante. Então, desesperado,
tenho de escapar a outras regiões, se possível a caminho do prazer, se não, a caminho da dor.
Quando não encontro nem um nem outro e respiro a morna mediocridade dos dias chamados
bons, sinto-me tão dolorido e miserável em minha alma infantil, que atiro a enferrujada lira do
agradecimento à cara satisfeita do sonolento deus, preferindo sentir em mim uma verdadeira
dor infernal do que essa saudável temperatura de um quarto aquecido. Arde então em mim um
selvagem anseio de sensações fortes, um ardor pela vida desregrada, baixa, normal e estéril,
bem como um desejo louco de destruir algo, seja um armazém ou uma catedral, ou a mim
mesmo, de cometer loucuras temerárias, de arrancar a cabeleira a alguns ídolos venerandos,
de entregar a um casal de estudantes rebeldes os ansiados bilhetes de passagem para
Hamburgo, de violar uma jovem ou de torcer o pescoço a algum defensor da ordem e da lei.
Pois o que eu odiava mais profundamente e maldizia mais, era aquela satisfação, aquela
saúde, aquela comodidade, esse otimismo bem cuidado dos cidadãos, essa educação adiposa e
saudável do medíocre, do normal, do acomodado.
Eu gosto de carinho violento. De falar. De estar certa.
De quem entende o que eu digo. De quem escuta o que eu penso.
Da minha prole. Dos meus discos. Dos meus livros.
Dos meus cachorros. Dos Stones. Do Rock Natural.
Da minha solidãozinha. Dos meus blues. Do meu sofá vermelho.
Da minha casa. Do meu umbigo. De unhas cor de carmim.
De homem que sabe ser homem. De noites em claro e dias em branco. De chuva e de sol.
Eu guardo as minhas rejeições em vidrinhos rotulados com o nome deles.
Eu sou mole demais por dentro pra deixar todo mundo ver.
Eu deixo pra quem eu acho que pode comigo.
Ninguém sabe.
Mas eu tenho coração de moça.
É triste (?) ou talvez só complicado, que mesmo depois de 3 anos, só uma pessoa conseguiu me dar o que quero, o que gosto. Triste é que ela foi a primeira.
Esse processo de diferenciação é díficil, mas parece que estou progredindo. Parece que o que me compõe enquanto individuo é mesmo meu, a maneira como lido comigo também parece ser exclusiva, ou melhor, parece que já enquadrei como meu, isso não é bom de todo. Parece que a maneira como lido com os outros, como me relaciono ainda vem de fora, de um lugar, talvez péssimo enquanto referencia. E eu não sei o que fazer com isso.
Me sinto só, eu sei, eu sei também que existem outras pessoas, e eu quero (e muito) estar com elas, mas tenho medo de prejudicá-las. Tenho medo de que elas também não tenham o que eu preciso. Como alguém vai ter se nem eu sei o que de fato é isso?
Como posso saber se essa(s) pessoa(s) estão dispostas a correr o risco que eu estou?
Como saber se alguém é capaz de fazer por mim o que eu sou capaz de fazer por ele?
Esse parece ser meu paradigma eterno, ao menos em situações de amizade já aprendi a não esperar reciprocidade, mas e nas outras?
Parece que não consigo me libertar desse tipo de situação, deve ser o “eterno retorno” freudiano.
Mas, estou tendo a oportunidade de quebrar este ciclo, será que consigo? Será que quero? E se quebrá-lo, estou pronta para o que pode vir, mesmo que isso for nada?
Ficar com o que não está ótimo para não correr o risco de ficar sem….. Isso não parece próprio de minha personalidade.
Escolhas, por que vocês ficaram, derepente, tão díficeis?
Gosto de homens, de transar, amar, rir com eles. Gosto de sentir um braço forte me apertando, uma mão com atitude explorando meu corpo, gosto de sentir uma barba mal feita passando por todo meu corpo, deixando minha pele vermelha e irritada. Gosto de sentir um pau duro e grande dentro do meu corpo, machucando, batendo, me fazendo sentir todos os músculos e fibras da minha intimidade. Mas…
Sempre tem esse mas, as mulheres, parecem serem elas que me fascinam. O charme, a sedução, as sensações que só uma mulher parece saber causar em outra. O sorriso, o beijo, a timidez aparente, as carícias, as mãos delicadas e sem pressa que percorrem cada centímetro de pele aproveitando somente ele, sem pensar no que está abaixo (ou acima). Apenas aproveitando o corpo.
Não que todas as mulheres façam isso, ou nenhuma mulher seja capaz de fazê-lo, mas parece que só as mulheres sabem fazer, assim como deve ter coisas que só homens fazem homens sentir, mas não quero pensar sobre isso.
Gosto, e quero falar de mulheres…. E suas mãos, línguas, pele, cabelos…E todo o pacote, parece que algumas coisas são inerentes as mulheres, algo a priori, alguns códigos que somente elas sabem, entendem e se submetem.
Agora,uma língua de mulher percorrendo todo meu corpo, com suavidade, mesmo nas mordidas… Mãos suaves percorrendo e descobrindo meus pontos fracos, esse simples pensamento, essas imagens que percorrem minha mente me fazem delirar. Só uma mulher sabe como deixar outra realmente excitada, e mesmo que homens façam, mulheres sempre serão incrivelmente melhores nesse processo.
Enfim, depois de passar alguns dias com homens, acho que me que preciso é uma mulher, dessas que me fazem suspirar só com uma lembrança.
Confesso que preciso de sorrisos, abraços, chocolates, bons filmes, paciência e coisas desse tipo.
– Caio Fernando Abreu. (via anrcc) Via Mais do mesmo!Penso que volto a querer coisas mais intensas.
Um puxão forte no cabelo, um palavrão gritado no ouvido, uma respiração suada e ofegante nas costas, uma pegada pela bunda e uma língua avida entrando em mim.
O gosto forte da vodka, o amargo do cigarro na boca.
E o desejo surgindo e ficando mais forte a cada orgasmo, até que o corpo não aguente mais, e por fim desmaie entre os lençóis sujos de um quarto suado e cheio de fumaça.
Sinto falta.
Falta da comida da mãe, do colo do melhor amigo, do beijo ardente, da tontura da vodka, do riso fácil, do sexo selvagem, do filme romântico, dos prazeres proibidos (eles foram em algum momento?), do compromisso, do pertencer e realmente acreditar em algo.
Sinto falta do que nunca tive, do que já tive e perdi, do perdi por não mais sentir, do que perdi por sentir demais.
Sinto falta de me privar, e da falta de privação, sinto falta de ter um lugar.
Mas já tive um?
Sinto falta de ter alguém, mas… de fato já tive?
Sinto falta de amar, mas … o que é amar?
Se pode sentir e saber? Se pode sentir falta do que não se sabe?
O que é sentir, o que é falta?
Acho que volto a sentir falta de sentir.
Esse eterno sentimento de dormência que de tempos em tempos volta.
Mas não, agora não estou adormecida, me sinto viva, viva de fato, apenas sentindo coisas que não são boas, mas são intensas, e isso me parece tão melhor que não sentir.
Ao menos sinto, mesmo sem saber o que, mesmo sabendo que o que sinto não faz bem, ao menos sinto.
E sentir é viver!
. Mesmo que em auto- destruição.
Pequenos prazeres ou auto-destruição? Mas, sempre me pergunto, no fim, o que diferencia prazer de destruição?
02/05/12
Mais uma vez me mostro como sou, com meus vícios, meus problemas e minhas incertezas, mais uma vez, quem eu espero e quem eu quero que fique do meu lado se afasta. Eterno retorno, sim é isso, busco e quero me envolver com quem não pode e não quer estar ao meu lado. Como diriam muitos, Freud explica.
Nos os culpo por se afastarem, afinal, eu melhor do que ninguém, sei como é duro conviver com essa Kamilla que poucos conhecem, ela não é fácil de se lidar, pelo contrário, além de ser complicada, exige muito: atenção, carinho, cuidado, paciência e desejo. Ela quer ser cuidada, como uma criança, mas também quer ser deseja, como uma mulher, como uma puta.
Não é fácil, eu sei, mas também não pode ser complicado, o que no fundo eu gostaria de entender é por que sempre que me disponho a me envolver é com pessoas que, tá na cara, não estão dispostas a isso, não estão dispostas a quererem se dar um pouco para mim, e sobretudo me aceitarem como eu sou.
E parece que isso sempre acontece quando mais preciso de alguém ao meu lado. Me sinto triste, sozinha, em meio a muitos e sem ninguém. É chato, eu sei, mas acho que assim que sei viver, assim sei me virar, afinal, acho que já me acostumei a isso.
Após algum tempo as coisas perdem as cores, o gosto, o sabor.
Deixam de ser frescas, as vezes isto pode ser um problema, ou então um indicador de maturidade.
Maturidade? E quem disse que isso é realmente algo bom?
Talvez seja, talvez não seja para mim, que ainda tenho desejo de experimentar, de viver, de estar viva e me sentir assim.
Desejo de correr na chuva, de ficar o dia inteiro na cama,passar a semana comendo doces, de rir até a barriga doer, de beijar ardentemente, de desejar e ser desejada.
Como viver estes desejos todos?
Ainda sigo buscando as formas, porém, só com algumas determinadas pessoas parece que eles vem a tona.



